O Razer Phone não é um bom smartphone, pelo menos não por US$ 700 (cerca de R$ 2.324). No papel, ele disputa de igual com os principais celulares Android: traz processador Qualcomm Snapdragon 835, 8 GB de RAM, câmera dupla, tela de alta resolução e alto-falantes estéreo potentes, entre outros itens. Na prática, porém, o aparelho é grande e desajeitado. A câmera deixa a desejar e a autonomia não impressiona, apesar da bateria de grande capacidade. Além disso, ele não tem resistência à água nem entrada para fone de ouvido. A primeira característica é rara em celulares nessa faixa de preço, e a segunda chama atenção, considerando o tamanho do Razer Phone.
Então, por que se importar? Por um motivo: o Razer Phone foi o primeiro smartphone com uma tela de taxa de atualização muito alta. Ela usa basicamente a mesma tecnologia de exibição do iPad Pro 10.5, da Apple, e deixa as interações incrivelmente fluidas e a rolagem muito suave. É uma prévia do futuro, quando todos os smartphones devem ter telas com esse tipo de atualização.
O que é a taxa de atualização alta
Taxas de atualização altas são mais procuradas por jogadores de PC, pois deixam o jogo mais suave e reduzem o tempo de reação em jogos de ação rápida. No celular, o efeito é outro: a taxa alta torna as interações mais sedosas. Ao rolar a caixa de entrada ou o feed do Twitter, nada parece travar ou tremer. A interface acompanha o toque do dedo como nunca antes e não gagueja nem pula. É difícil descrever a diferença sem ver pessoalmente, mas a sensação de manipular os elementos da tela diretamente é mais forte do que em qualquer outro aparelho.
A diferença entre uma tela de taxa alta e uma tela comum é tão marcante quanto a passagem da tela do iPhone 3GS para a tela Retina do iPhone 4.

A maioria dos aplicativos para celular roda com taxa de 60 Hz, o que permite exibir até 60 imagens por segundo. Já a taxa padrão do Razer Phone é de 90 Hz, e ela pode ser configurada para 120 Hz nas configurações, para interações ainda mais suaves, ao custo da bateria. Isso só é possível graças a componentes internos de alto nível, que muitos outros Androids também usam, e a um controlador de tela personalizado, desenvolvido para lidar com a taxa alta.
Como a tela se adapta ao uso
Quase todos os aplicativos Android se beneficiam dessa taxa mais alta, sem nenhum trabalho extra do desenvolvedor. O Razer ajusta a taxa de forma dinâmica, entre 20 Hz e 120 Hz, conforme o que o aparelho está fazendo. Ao ler uma página estática, a taxa cai para economizar energia. Assim que o dedo toca a tela, ela sobe para entregar as interações suaves. Da mesma forma, ao assistir a um filme gravado a 24 quadros por segundo, o aparelho ajusta a taxa para acompanhar o conteúdo. Com isso, o efeito de “novela”, comum em TVs de 120 Hz, não aparece.
Jogos: o ponto mais delicado
Os jogos são um caso à parte. Normalmente, os desenvolvedores escolhem uma taxa específica e travam o jogo nela. Se um jogo foi travado em 60 Hz, ele fica com movimentos truncados e perde quadros quando roda a 90 ou 120 Hz. Já um jogo que não é travado pode aproveitar ao máximo a tecnologia de tela do Razer. Na época, cerca de três dúzias de jogos eram compatíveis com 120 Hz no Razer Phone. Três deles (Gear.Club, Titanfall Assault e World of Tanks) vinham instalados de fábrica, e todos rodavam de forma suave, aproveitando a tecnologia do aparelho.
Os compromissos da primeira versão
Apesar dos benefícios imediatos, essa primeira versão da tela do Razer traz alguns compromissos importantes. O painel é um LCD Sharp IGG, porque o controlador que habilita 120 Hz ainda não funcionava com telas OLED. O resultado é uma imagem menos vibrante e menos brilhante do que a de muitos concorrentes. Ao ar livre, a tela fica quase ilegível, enquanto outros aparelhos com LCD, como o HTC U11, funcionavam bem sob o sol.
Mesmo assim, o Razer Phone mostra possibilidades interessantes. Vale acompanhar quando esse tipo de tela chegar a aparelhos que façam menos concessões para alcançá-la. Se isso acontecer, o futuro dos smartphones tende a ser bem mais fluido.
Lembre-se de que a taxa de atualização é só um dos aspectos da experiência. Câmera, bateria e brilho continuam decisivos na hora de escolher um celular.


